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20090906

Paysages artificiels

ENTRETIEN TÉLÉPHONIQUE ENTRE HANS ULRICH OBRIST, NICOLAS GHESQUIÈRE

ET DOMINIQUE GONZALEZ-FOERSTER 

PARIS-MIAMI, JEUDI 7 DÉCEMBRE 2006


NG

"Ce qui m’a particulièrement touché dans le travail de 

Dominique, c’est sa capacité à transformer quelque chose de familier, de reconnaissable en une chose 

totalement étrange, de l’inscrire dans la science-fiction, dans l’irréel. Quant à moi, je n’aime pas tellement le 

vêtement spectaculaire ni le fait d’exagérer les proportions, et je cherche plus à rendre une silhouette 

commune, virtuelle en jouant avec des codes, des éléments reconnaissables et immédiatement identifiables, 

pour les rendre irréels"


DGF

C’est comme si l’étrangeté émergeait du médium lui-même.(...) J’en parlais justement avec l’architecte Philippe Rahm, à propos d’Alain Robbe-Grillet, de sa manière d’écrire : 

il ne suit aucun plan, c’est l’écriture elle-même qui produit progressivement de l’étrangeté. (...) je pense qu’une partie de l’étrangeté de ton travail vient de là. 

HUO 

L’idée d’aller au-delà de cette angoisse qu’il faut composer avec un puits de savoir est commune à vos deux démarches. 


HUO 

Travaillez-vous sur ces  espaces de la même manière que vous l’avez fait pour les boutiques Balenciaga – je pense par exemple à votre idée de départ, ces « paysages artificiels » ? 


http://74.125.47.132/search?q=cache:_gf2Z9eAw9QJ:www.paris.fr/portail/viewmultimediadocument%3Fmultimediadocument-id%3D28208+livre+dominique+gonzalez+foerster&cd=14&hl=fr&ct=clnk&gl=fr

Alphaville


"Au Brésil, un promoteur nommé Albuquerque construit depuis 1974 des "Alphavilles" : enclaves urbaines "modèles" et surprotégées, en bordure des grandes villes. Un nom directement inspiré du film de Jean-Luc Godard Alphavilles (1965) qui décrit une ville contrôlée par un ordinateur, anxyogène et absurde... En quoi l'Alphaville de Sao Paulo ressemble-t-elle à celle de JLG ? Est-ce que la planète se couvre progressivement d'Alphavilles ? Climat, urbanisation, modernisme, régionalisme et tourisme sont les ingrédients de cocktails spatiaux parfois ennuyeux, parfois très étonnants. Où sont les différences, où sont les répétitions ?

Dans son roman 
Un photographe à la Plata, Adolpho Bioy Casares raconte les aventures d'un jeune homme dans cette ville d'Argentine crée en 1882 sur un plan orthonormé. Une grille immense avec des diagonales et dont les rues sont simplement numérotées. Pourtant, même dans cet environnement totalement tramé, le jeune photographe va vivre des moments spécifiques, et les descriptions faites par ABC des instants photographiques, racontant à la fois l'image enregistrée et l'espace construit, sont très stimulantes.

On appelle une partie de New York "Alphabet City", parce que ses rues portent des noms de lettres et, dans certaines grandes villes comme Shangai ou Buenos Aires, les rues portent systématiquement les noms d'autres villes, superposant des espaces éloignés et créant des proximités inédites.

« - A Ostende, j'aime Gibraltar. » (Bashung) - A Brasilia, il y a Chandigarh. - A Paris, il y a Buenos Aires et à Palm Springs, il y a Kyoto. »

Ce livre d'images est publié à l'occasion de deux expositions qui vont se situer l'une à Antwerpen (De Singel) et l'autre à Zurich (Kunsthalle). Les images de Zurich sont de Peter Fischli et David Weiss.

De A à Z à travers 80 villes, liste absolument non exhaustive... "

Dominique Gonzalez-Foerster - 
Introduction (p.4)

20090729

DOMINIQUE GONZALEZ-FOERSTER II

outubro 19, 2006

Parque temático, entrevista de Dominique Gonzalez-Foerster a Marcelo Rezende, Revista Bravo

Parque temático

Entrevista de Dominique Gonzalez-Foerster a Marcelo Rezende, originalmente publicada na Revista Bravo nº 110

Dominique Gonzalez-Foerster, um dos destaques da 27a bienal, fala sobre a fascinação pelos trópicos e a procura por alguma coisa "orgânica, intensa, pulsante, imatura e fora de controle"

A artista Dominique Gonzalez-Foerster, nascida em Estrasburgo, França, é hoje, aos 41 anos, um dos mais importantes nomes na cena da arte contemporânea mundial. Assim como os também artistas Pierre Huyghe e Philippe Parreno - dois franceses que usam o vídeo como meio para diferentes comentários sobre a memória, a sociedade e a cultura—, com quem compõe um trio aos olhos da crítica internacional, Dominique fez seu aprendizado na cidade de Grenoble, na École du Magasin - Centre National d'Art Contemporain.

O organismo foi extremamente influenciado pela passagem do cineasta Jean-Luc Godard, que viveu na cidade no início da década 70 e propôs, com a criação do Sonimage ( uma sociedade de produção) "usar o cinema para criar uma TV que ainda não existe; e usar a TV para recuperar um cinema que não existe mais". Dominique Gonzalez-Foerster realiza seu primeiro filme, Ile de Beauté (ilha de beleza), em 1996, ao lado do videasta Ange Leccia: durante o ano de 1985, um narrador divide seu olhar entre duas ilhas, a Córsega e o Japão, no qual uma atmosfera de vazios é criada em frente ao espectador, que acompanha uma série de micro-eventos. Até o momento, Dominique realizou 13 produções em filme e vídeo, perseguindo sempre uma leitura "sutil" das imagens.

Em seguida, a artista passa a investigar com intensidade dois dos temas que resultaram em trabalhos responsáveis por sua projeção: a tropicalidade e os espaços criados pela arquitetura em meio a um cenário natural ou urbano. Além dos filmes, passa a criar suas "situações em espaços específicos". Algumas marcantes instalações surgem a partir desse momento: Quelle Architecture Pour Mars ? (qual arquitetura para marte ?, Le Consortium, Dijon, 2001); Exotourisme (Centro Georges Pompidou, Paris, 2002), vencedor do prêmio Marcel Duchamp; Artist in Focus (artista em foco, Bojmans Museum, Roterdam, Holanda, 2003) e Multiverse (Kunsthalle, Zurique, Suíça, 2004).

Como afirma o crítico e curador sueco Daniel Birnbaum, "no trabalho de Gonzalez-Foerster, o gênero não parece mais relevante. Suas produções recentes incluem uma aventura 'cósmica', projeções em vídeo e 'ambientes' sonoros". Nesta entrevista, Dominique Gonzalez-Foerster fala sobre sua atração pelas terras tropicais, seus planos para a Bienal e sua estreita relação com o Brasil.


Bravo: Você tem trabalhado muito com a noção de "tropicalidade" e também sobre a procura por uma "outra modernidade", como em "Tropicale Modernité" (Fundación Mies van der Rohe, Barcelona, 1999). Que tipo de relação poderia ser feita entre suas pesquisas e seu trabalho pensado para a Bienal de São Paulo?

Dominique Gonzalez-Foerster: Como disse para Lisette Lagnado durante minha primeira visita ao pavilhão da Bienal, em abril, a principal dificuldade é propor alguma coisa nesse contexto que já me influenciou tanto - há um tipo de timidez. Viajo para o Brasil desde 1998, agora moro também no Rio de Janeiro durante parte do ano, e houve filmes, ambientes, alguns tipos de "exportações"…agora é preciso conseguir "importar" alguma coisa.

Quando e por que você escolheu a "tropicalidade" como tema?

Quando tive a necessidade de identificar alguma coisa essencial que nos falta muito em Paris e que me parece muito produtiva e necessária: alguma coisa orgânica, intensa, sensorial, vegetal, pulsante, imatura, fora de controle…mas a tropicalidade é também um contraponto ideal à modernidade, uma construção modernista em um contexto tropical é extraordinário.

Quando você pensa sobre o Brasil, que tipo de modernidade você tem em mente?

Em primeiro lugar, a modernidade arquitetônica, que me fez sonhar com Brasília durante anos. Mas há também uma relação com a modernidade mais banal, mais cotidiana. O formato das cabines telefônicas e das caixas do correio brasileiras continuam para mim um permanente prazer. Trata-se de um país que não está ainda emparedado no culto do patrimônio e do retrô, algo que vemos agora na Europa.

Uma reflexão sobre o espaço e a arquitetura é também algo constante em sua trajetória. Encontrar a construção de Oscar Niemeyer na Bienal teve alguma influência em seu trabalho em São Paulo?

Eu já olhei, atravessei, filmei muito a arquitetura de Oscar Niemeyer, sou uma admiradora de suas qualidades de espaços e de situações que ele pensou e produziu - um espaço ao mesmo tempo coberto e aberto, como a marquise do parque do Ibirapuera, isso é único no mundo. O pavilhão da Bienal, naquelas dimensões, dá um arrepio a cada andar. Participar dessa bienal é a oportunidade de dialogar diretamente com essa arquitetura que é tão estimulante para mim; a possibilidade de falar a linguagem dessa arquitetura, de usar esse vocabulário. A exposição como território para o jogo e para o pensamento.

Mas como evitar o exotismo, um Brasil exótico, que pode surgir nesse contexto?

No Japão, um filme francês do período da nouvelle vague é exótico. Alguns filmes indianos recentes são filmados nos alpes suíços, é a estética do diverso, como diria o escritor Victor Segalen, e não apenas uma noção turística. É também a prova de heterogeneidade, não é apenas do cliché que se trata - é uma forma de exotismo visual, a "comunhão do sensível": sejamos abertos ao diferente, inquietos e curiosos.

Na Bienal vemos uma instalação e também alguns de seus filmes. Você poderia comentar as proximidades e diferenças desses dois campos em seu trabalho?

Quando faço filmes, identifico momentos urbanos, situações em espaços específicos. Eu registro conjuntos complexos: a coreografia inconsciente de pessoas que atravessam a cidade, a luz que muda, a influência da paisagem e da arquitetura sobre os deslocamentos, o clima sonoro. Quando faço propostas espaciais, tento prolongar essa identificação, essa escolha, propor situações que poderiam ter essas qualidades dos espaços atravessados e filmados. O interesse principal da exposição é o de ser um espaço "dividido". Não é o livro, o filme ou o espetáculo que assistimos sozinhos, estamos na exposição com o corpo em deslocamento, a voz, podemos andar rápido ou devagar, fazemos parte da imagem (da situação) para os outros visitantes. Conscientes ou não dessa situação, ela existe.

Há também a música como elemento em sua trajetória, como o documentário realizado com o cantor francês Bashung. É possível criar no mercado, dentro de um mercado como o da música?

Para mim foi muito importante trabalhar fora do museu e da galeria, junto a um público que tem outras referências e que não pensa com as regras da arte contemporânea. Escuto as canções de Bashung na rádio desde minha adolescência, e quando ele me pediu para trabalhar com ele, foi uma emoção extraordinária - eu procuro os limites do campo da arte, obras que se difundem e para as quais se olha de modo diferente.

Existe alguma diferença entre realizar trabalhos nos grandes centros, como Veneza ou Nova York, e expor na Bienal de São Paulo ou de Istambul, países que não estão no grande circuito da arte? Existe alguma diferença quanto ao público?

Não, não acredito que exista uma diferença. Há sempre o público "profissional" dos primeiros dias, e depois o público da cidade, do país, os viajantes e os estudantes…muitas pessoas criticam as bienais, mas eu gosto bastante delas, porque são como festivais de cinema para as artes plásticas. Encontramos os outros artistas, vemos novas obras, olhamos a cidade de um modo diferente. Jamais estive na Bienal de São Paulo, a mais antiga depois de Veneza, e que possui uma longa história, mas não sei como ela funciona em relação ao público. Isso vou descobrir logo.

Marcelo Rezende é escritor e jornalista. É autor do romance Arno Schmidt (Planeta, 2005) e do ensaio Ciência do Sonho - A imaginação sem fim do diretor Michel Gondry (Alameda, 2005). Criou e dirige a coleção de ensaios Situações

From : www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000952.html

20090726

Dominique Gonzalez-Foerster : Extrait de www.dimension5.info




“Uma palavra que não uso é ‘identidade’, pois ela me remete a uma clausura. É antes a possibilidade de um repaysement (reterritorialização) de que dedépaysement (desterramento) que o trabalho comunica. A escolha das cidades se faz por intuição. Não tenho a impressão de vir de algum lugar em particular. Me ocorre, certas noites, antes de adormecer, de pensar nas pessoas e isso se estende até o planeta Marte. Gostaria de viver o suficiente até ultrapassar a idéia do limite de um corpo, do corpo-limite, pois para mim os deslocamentos são constituintes, poder fazer deslocamentos contínuos no espaço e no tempo como o esquizofrênico que se sente outro. Nossa constituição se faz antes pelo dentro ou pelo fora? Não é o que está em volta que constitui um dentro mas o inverso também. A percepção deve ser explorada para não estreitar-se na noção de corpo. O que importa é o que pode acontecer (potência de acontecimento) e não o que estava programado. Para isso, já precisamos partir de uma renúncia.”